Dizer “não” também é uma forma de amar

Quando bebê, o pequeno encontra tudo o que precisa para sobreviver e essa é a única fase onde todas as necessidades são supridas imediatamente, porém ele também inicia um processo de adaptação à sociedade. Com o tempo a criança vai crescendo e encontrando frustrações/dificuldades pelo caminho, então tudo se transforma em choro, pois as coisas já não são como eram antes.

Não há uma fórmula mágica para evitar que o filho tenha suas frustrações ou sofra, pois uma hora ou outra isso irá acontecer. Muitos pais acham que satisfazer as vontades do filho ou procurar não dizer a palavra “não” fará com que a criança seja feliz, mas isso se tornará um sério problema no futuro. Ensinar os pequenos mostrando que todos tem suas frustrações e que é necessário tempo para algumas coisas, é papel dos pais. Se os adultos não imporem limites, as crianças nunca saberão lidar com as adversidades da vida.

Os filhos devem se decepcionar sim e isso faz um bem enorme! O ser humano só aprende e adquiri habilidades quando se depara com situações que é necessário ter paciência e empatia. É de grande importância lembrar que somos como um mosaico, quanto mais nos “quebramos” com as frustrações, mais nos tornamos preciosos e diferentes, pois cada pedacinho dele, revela histórias únicas e preciosas da nossa formação.

As crianças precisam tomar decisões e resolver conflitos, pois os mesmos, colaboram no autocontrole e na autorregulação do indivíduo. Quando o pequeno ouve um “não” ele aprende a ser mais resiliente e tem grandes chances de ter um futuro brilhante.

O bebê desde seu primeiro ano, já compreende a palavra “não”. Com 2 anos, a criança percebe que o “não” pode também ter consequências. Ou seja, dar limites desde cedo é de extrema importância para a formação do ser humano. Papais, precisamos aprender que fazer toda a vontade dos filhos fará com que ele crie um “mundo fantasioso” e que quando crescerem, esse “paraíso” já não existirá mais, causando danos prejudiciais em sua formação.

A palavra “não” também deve ser pronunciada com cautela, ou seja, pense no adulto que você gostaria que seu filho se tornasse, só assim você conseguirá corrigi-lo sem culpa. Devemos refletir também sobre a importância de elogiar a criança, pois é uma forma de valorizá-la e é mais gratificante do que qualquer presente… Aliás, mais que dar presentes, os pais precisam ser presentes!!

Pais brilhantes mostram que as mais belas flores surgem após o mais rigoroso inverno.

Augusto Cury